Resenha Os privilégios da fama - Alexandre Tavares

by - 14 maio


A história: Narrado em terceira pessoa, Os privilégios da fama conta a história da ascensão e decadência de um estilista e sua equipe de modelos, tendo como cenário o conturbado e luxuoso mundo da moda brasileira durante o São Paulo Fashion Week, onde o maior acontecimento da noite não são os desfiles, mas uma tentativa de homicídio contra o modelo mais cobiçado da temporada.

O livro já começa com o pé na porta nos apresentado o atentado durante a noite mais deslumbrante da vida daqueles modelos. E a partir daí é que os arcos começam a se desenrolar. A narrativa é super populosa, mas a quantidade de personagens não torna a leitura, frenética, difícil. Pelo contrário, o leitor acaba entrando de cabeça na vida de cada um daqueles modelos. Como um bom suspense, não dá para confiar em ninguém, por isso, o autor deixa todos os fatos mais importantes na mesa, caso o leitor tente se aventurar e se apegue algum personagem.

Conforme a narrativa passa, descobrimos mais particularidades de cada um, com a ideia da tentativa de assassinato na cabeça. Tudo acaba se transformando em um jogo de quem é mais provável atirar.

Embora não sejam personagens carismáticos o suficiente para que o leitor se apegue, ver a transformação deles durante a história é maravilhoso. Como péssimas decisões e algumas semanas de tensão podem mudar uma pessoa completamente.

Da metade para frente, depois do atentado, a narrativa segue seu rumo com, já bem conhecido do gênero suspense, “quem matou fulano?”. Metade dos personagens teria ótimos motivos, e seriam capazes, de cometer tal ato, mas o Alexandre deixa o leitor em tamanho banho-maria que é difícil acreditar que o personagem responsável seja mesmo aquele de quem se tem provas, mesmo depois de comprovado eu ainda fiquei com dúvidas.

É um livro tenso e curto, uma daquelas histórias que você lê com o coração na mão, esperando o próximo a dar a punhalada nas costas.

Personagens:

Nicolas
: Ele é o dono da grife, e aparentemente o leitor pode achar que essa história é sobre ele, mas durante a narrativa vai ficando claro que Nick Blanc é o personagem que menos conhecemos, por exemplo, sabemos a origem de todos os outros, menos a dele. Mesmo assim, ele é o que mais tem a chance de cativar o leitor, por sua força e até mesmo por suas fraquezas.

Heitor: Ele é o protagonista, mas não parece. Mesmo que o leitor tenha mil e uma razões para odiá-lo, a narrativa sem dúvidas é sobre ele. Tudo acontece dentro daquele ambiente porque ele ousou chamar a atenção de Nicolas, foi aí que tudo começou a desmoronar. A vida de Heitor não é interessante. Ele é basicamente lindo e rico, que conquista pessoas estúpidas com seu tom sedutor, fazendo com que a pompa sexy esconda o verdadeiro babaca que ele é. Quantos desse você já conheceu? Pois é, eu também amiga.

O que eu menos gostei: Mesmo que seja muito bom, e tenha despertado minha curiosidade a ponto de me fazer lê-lo até o fim desesperadamente, houveram dois pontos, muito importantes, que me desanimaram. O personagem que sofre o atentado consegue sobreviver, mas, na minha opinião, ele deveria ter morrido. O personagem em questão teve uma “redenção” fajuta, ele sinceramente não merecia ser feliz para sempre, e fiquei com mais dó de quem foi preso, do que do personagem que levou um tiro. É claro que todos ali na trama erraram muito, fizeram seus joguetes e alguns se safaram sem nenhum arranhão, mas o que me leva a questionar a sobrevivência do personagem atingido é justamente um estupro do qual ele é envolvido. Ficou muito claro que houve tal atentado no passado desses dois modelos, agora não sei se foi a intenção de Tavares tratar esse fato de maneira leviana (como parte do péssimo caráter dos personagens) ou não. Quando uma jovem é abusada, é direito dela contar para quem ela quiser, é o corpo dela que foi violentado. Na narrativa a personagem em questão tem um namorado que a cobra por nunca ter lhe contado que foi estuprada. Tal segredo leva a uma briga de casal, porque o personagem que a estuprou força a modelo a falar de tal situação para o namorado. Um estupro, uma violência desse porte, não é uma traição que você não pode esconder de seu parceiro, não é um roubo que você tenta esconder da polícia. A culpa é do estuprador, e não de quem foi estuprado e escondeu a verdade por pura vergonha.

O que eu mais gostei: A construção do livro é muito bem feita. Para mim, não há prazer maior em um livro do que ver todos os arcos abertos se fechando gradativamente com o andar da narrativa. Esse livro é bonito para os olhos, todas as peças se encaixam e ele ainda consegue te surpreender várias vezes. É um suspense chique, simples e enlouquecedor.

O mundo da moda é adorável, sexy e quente!
Mas o que ninguém pode ver é que além das passarelas este mundo tão almejado esconde intrigas insuportáveis, segredos tão sujos quanto à alma de quem os esconde e uma ácida inveja, algumas vezes capaz de levar à morte!
Acompanhe a incansável disputa desses jovens modelos determinados a ultrapassar os próprios limites em busca da fama, até que um terrível episódio de horror na tão esperada noite do SPFW começa a desestruturar o tão almejado império fashion.

Alexandre Tavares tem 25 anos e sempre viveu em São Paulo. É publicitário e também já foi bailarino e ator, mas sua verdadeira paixão é a criação e a literatura. Sua escrita é um refúgio para liberar sentimentos hostis e desenvolver personalidades marcantes. Seu livro de estreia foi o romance policial “Alucinada”, seguido do romance lgbt “Intimidade”. “Os privilégios da fama” é seu terceiro livro no mundo literário.

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