|RESENHA| Sonata em Auschwitz - Luize Valente

by - 02 fevereiro

Skoob – Avaliação: 5/5
A história: Amália é uma jovem portuguesa bem sucedida em sua carreira profissional e feliz consigo mesmo. Apesar de sua família aparentar ser bem estruturada, a moça não sabe nada do passado renegado do pai Alemão. Durante uma ligação misteriosa que ela intercepta entre o pai e uma parente, Amália resolve procurar sozinha essa história misteriosa que a faz se sentir incompleta.

Na Alemanha ela encontra a bisavó Frida que começa a contar uma história sobre culpa e sobrevivência. Seu pai vem de uma linhagem diretamente ligada ao Nazismo, e por isso detesta seus antepassados. Contudo, uma história pode redimir se avô paterno.

Decidida a realizar o último desejo da bisavó, Amália embarca para o Brasil seguindo os rastros da criança que seu avô, Friedrich, salvou de Auschwitz. Como um quebra-cabeça, ela vai encontrando as peças da própria história e descobrindo quem é Amália.

Cheia de perspectivas intrincadas com uma leitura leve, porém, que necessita de grande imersão, Luize Valente entrega ao leitor um livro sobre a Segunda Guerra Mundial bem diferente de tudo que já foi escrito, atualmente.


Os personagens:


Amália: A protagonista nos entrega sua perspectiva em alguns pontos do livro por estarmos caminhando com ela num mundo que ambos não conhecemos. Amália é a responsável por dar uma luz aos leitores, uma espécie de explicação e guia. Além disso, a caracterização de Amália é forte, voltada para as mulheres poderosas da nova geração.

Adele: A personagem secundária que é na maior parte da narrativa a guia da protagonista, sempre apresentando, lentamente, as respostas para as indagações de Amália. Tem uma das melhores caracterizações de livros desse gênero que eu já li. Ao mesmo tempo que nega a vitimização, não se coloca em um pedestal, sabendo seu lugar na história do mundo sem fazer alarde e batalhando muito.

O que menos gostei: Pessoalmente, vou ficar devendo. Eu amei tudo sobre esse livro, mas algumas pessoas poderão achar a narrativa um pouco lenta, e de certa forma, demorada para explicar e fechar os arcos.

O que eu mais gostei: Tudo. Luize Valente conseguiu dar um nó no meu cérebro com todas essas trocas de perspectivas, muito bem organizadas, e depois, suavemente, desafazia o nó. Se você gostou de A menina que roubava livros, do Makus Zusak, vai adorar esse. É pra encher esse Brasil de orgulho minha gente. Leiam.

Um bebê nascido nas barracas de Auschwitz-Birkenau, em setembro de 1944. Uma sonata composta por um jovem oficial alemão, na mesma data, também em Auschwitz. Duas histórias que se cruzam e se completam. Décadas depois, Amália, jovem portuguesa, começa a levantar o véu de um passado nazista da família a partir de uma partitura que lhe é revelada por sua bisavó alemã. A dúvida de que o avô, dado como morto antes do fim da Segunda Guerra, possa estar vivo no Rio de Janeiro, a leva a atravessar o oceano e a conhecer Adele e Enoch, judeus sobreviventes do Holocausto. A ascensão do nazismo na Alemanha, culminando na fatídica Noite dos Cristais, a saga dos judeus húngaros da Transilvânia, os guetos na Hungria e Romênia, os trens para Auschwitz, os mistérios acontecidos no campo de extermínio da Polônia e o pós-guerra numa casa cheia de segredos num lago de Potsdam oferecem os trilhos que Amália percorrerá para montar o quebra-cabeça.

"Com descrições de tirar o fôlego e diálogos que revelam o que há de melhor e mais cruel no ser humano, ninguém ficará indiferente ao ouvir esta Sonata em Auschwitz." (Francisco Azevedo, escritor)

Luize Valente é uma escritora cujas tramas nascem de sua imaginação privilegiada e ganham corpo com pesquisa histórica rigorosa e pesquisa de campo. Elaborada com extrema sensibilidade e riqueza investigativa, sua narrativa envolve o leitor em mistério, suspense e profundos sentimentos e sensações.
"Sonata em Auschwitz" (2017) é o terceiro romance histórico da autora, depois de "O Segredo do Oratório" (2012) e "Uma Praça em Antuérpia" (2015), todos publicados pela Editora Record. Traz uma instigante história saída do campo de extermínio nazista, uma saga em pleno Holocausto. Em tempos extremos, reflete também sobre os erros que se repetem, os preconceitos que permanecem, as guerras que nunca acabam e os atos de resistência e a arte que sempre surgem em meio aos escombros.


Nascida no Rio de Janeiro, de ascendência portuguesa e alemã, Luize Valente é escritora e documentarista. Formada em Jornalismo, pós-graduada em Literatura Brasileira pela PUC/RJ, sempre foi apaixonada por História, com especial fascínio por temas ligados ao Judaísmo e aos refugiados em tempos de guerra. Autora dos romances históricos SONATA EM AUSCHWITZ (2017), UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA (2015) e O SEGREDO DO ORATÓRIO (2012), todos publicados pela Editora Record.

É autora, com Elaine Eiger, do livro "Israel: Rotas e Raízes" (1999) e dos documentários "Caminhos da Memória: A Trajetória dos Judeus em Portugal" (2002) e "A Estrela Oculta do Sertão" (2005), ambos exibidos em vários festivais no Brasil e no exterior - como a Mostra no Lincoln Center, em Nova York, e nos Festivais de San Diego, Jerusalém, entre outros - e na televisão, constituindo importantes inventários do Judaísmo no mundo. Com o primeiro ganhou o Prêmio de Melhor Direção de Documentário no New York Independent Film Festival de 2003 e com o segundo ganhou o Prêmio de Melhor Documentário no Festival de Cinema Judaico de São Paulo de 2005 .

A partir de 2012, envereda pela escrita ficcional, publicando na Editora Record o romance histórico "O Segredo do Oratório", com o qual foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2013. Foi traduzido e publicado também na Holanda pela Nieuw Amsterdam (2013).

Em 2015, foi lançado, igualmente pela Editora Record, seu segundo romance histórico, "Uma Praça em Antuérpia", o qual também atravessou o Atlântico: a edição portuguesa ficou a cargo da Editora Saída de Emergência.

Em 2016, escreveu sua primeira peça teatral, "O Mundo Indecifrável", em fase de pré-produção, a ser dirigida por Gilberto Gawronski.

Em 2017, lança seu terceiro romance histórico, "Sonata em Auschwitz", também publicado pela Editora Record e com edição previamente vendida para a portuguesa Editora Saída de Emergência, prevista para janeiro de 2018.

Também em 2017, os direitos de adaptação cinematográfica e televisiva de seus dois primeiros romances, O Segredo do Oratório e Uma Praça em Antuérpia, foram adquiridos pelos produtores Breno Silveira (diretor de "Dois Filhos de Francisco" e "Gonzaga: de Pai para Filho") e Paula Fiuza (diretora do documentário "Sobral").

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