| RESENHA | Os amantes das Gerais - Maria Jacinta de Resende Borges

by - 05 janeiro

Skoob – Avaliação: 4/5. 
A história: Lá pelas bandas de Minas Gerais no início do século XX onde o coronelismo imperava e as mulheres sofriam com o patriarcado exacerbado, Matilde filha do Coronel Joaquim e neta do Coronel Bento, famosos por suas terras, se apaixona por um tropeiro.
O amor impossível dos dois sofre muitas reviravoltas, e a chama brilhante se apaga quando o pai da garota resolve, por pura teimosia, proibi-la de namorar o vaqueiro. Decisão que veio tarde demais, grávida Matilde vê sua vida lhe escapar pelos dedos, e sem direito de escolha fica a mercê das decisões da família. 
Sem o grande amor e o filho, o tempo vai passando, e a mulher desiste de qualquer tentativa de ser feliz. Abnega-se do próprio destino para servir aos outros, no puro sentido de deixa a vida me levar, vida leva eu. Théo, o tropeiro, também não esquece sua amada, e por mais que cresça na vida profissional, nada o faz amar outra mulher, e esquecer o filho que ele não teve o direito de criar. 
Uma história de amor impossível e comovente, que nos faz repensar sobre o dilema da mulher no século passado, e como os homens, mesmos os apaixonados, ainda reforçavam seu poder pelo corpo feminino.

Personagens:

Matilde: É a protagonista, e embora sua vida seja controlada pelos outros, a perspectiva maior é dela. Foi bem construída, e mesmo simples, tem carisma e o leitor consegue se importar com ela. Percebendo os momentos de tristeza e dor, durante toda a narrativa dramática desenvolvida ao redor do grande amor que ela sentia.

Théo: Embora seja o objeto de desejo da protagonista, e objetivo maior, ele muitas vezes protagoniza a história, fazendo com que a narrativa ande e nos mostra outros lados do mesmo arco. Ou então, abrindo espaço para secundários novos e pequenos plots que vão se desenvolvendo, enquanto a história de Matilde passa por uma barriga, uma pausa. A história de Théo é também muito bonita e inspiradora, um pobre tropeiro que virou um dos maiores fazendeiros da região, isso é muito importante para a empatia do leitor, e claro, seu amor eterno por Matilde.

Coronel Joaquim: o pai da protagonista se caracteriza como antagonista, atrapalhando os planos de felicidade da moça, por pura teimosia. Parece um pouco surreal as razões do Coronel, mas as coisas eram exatamente assim, naquele tempo. Foi uma das melhores caracterizações de personagem da narrativa, na minha opinião.

O que eu menos gostei: Bom, levando em conta que aqui o que vale é a minha opinião, fiquem a vontade para discordar de mim. Acho que quando estamos lendo uma história fantástica ou, como no caso, um romance histórico, o que nos conecta aos personagens e a narrativa é a imersão naquele tempo. Precisamos acreditar que aquela história aconteceu no começo do século XX, então esquecemos onde estamos, onde vivemos, e partimos para essa aventura, nós os leitores. O que acontece em Os amantes das Gerais foi a escolha de Maria Jacinta de situar o leitor de volta ao século que vivemos, várias vezes, depois que já estamos imersos na narrativa. Senti que depois de me prender ao passado a autora me obrigava a voltar para o presente, com informações desnecessárias para a continuidade do romance, e quando a narrativa voltava ao seu rumo, ela quase que perdia a graça para mim, e eu precisava trabalhar a imersão novamente.

O que eu mais gostei: É diferente de todos os romances de época que já li. Enquanto os outros vão de encontro ao estilo de narrativa de Austen, Maria Jacinta fez uma escolha de linguagem que me lembrou muito o movimento naturalista no Brasil, e como os autores daquela época expunham as crueldades e arranjos injustos de um povo que tanto sofreu. Ótimo, diferente e bonito.

Uma história de amor quase a la Shakespeare, mas ambientada no Sudeste brasileiro, mais especificamente no Triângulo Mineiro, nas antigas fazendas de gado, nas primeiras décadas do século XX. Matilde e Théo sofrem muito por causa do amor proibido pelo pai da adolescente. Será que eles vencerão a luta? Que importância terá Guto na história?

Maria Jacinta de Resende Borges, nasceu em Perdizes, MG. Viveu em Uberaba durante infância e juventude, estudou nos colégios São Tarcísio e São Judas Tadeu, onde concluiu o curso normal. Iniciou seu trabalho como professora no Grupo Escolar Jacques Gonçalves em 1970. Mora atualmente em Sertãozinho – SP onde deu continuidade ao seu trabalho e, paralelamente, aos seus estudos com os cursos de: Pedagogia, em 1986 – Jaboticabal – SP; Didática para a modernidade, em 1996 – Franca - SP ; Bacharel em Direito, em 2007, na UNIP – Ribeirão Preto – SP; Prestou concurso para Diretor de Escola em 1988, assumindo o cargo em 1992, sendo que passou por várias escolas até a sua aposentadoria, em 2010, na EE Professor Bruno Pieroni , em Sertãozinho –SP.

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