| RESENHA | Tartarugas até lá embaixo - John Green

by - 15 novembro

Skoob – Avaliação: 5/5. 
Tartarugas até lá embaixo narra em primeira pessoa a história de Aza Holmes que convive com a falta do pai falecido e o Transtorno Obsessivo Compulsivo, o TOC. Aza estuda em uma escola, onde a mãe dela é professora, e tem uma melhor amiga, Daisy, que está sempre por perto, além do resto do grupo de amigos de Daisy, que aturam Aza e seus chiliques.

Após o recente desaparecimento de um empresário bilionário e corrupto, prestes a ser preso, a polícia resolve dar uma recompensa a quem encontra-lo. Daisy quer tirar o pé da lama, e ter a adolescência que sempre sonhou, sem precisar trabalhar para juntar dinheiro para a faculdade. Aza há muito tempo fora amiga/conhecida/tinha um crush, no filho do bilionário, e sua melhor amiga resolve usar isso para investigar o desaparecimento do empresário.

Um pouco contrariada, mas sempre pressionada pelos pensamentos invasores, Aza acaba entrando na ideia de Daisy, e se aproxima novamente de Davis. Contudo, essa nova velha relação pode transformar a vida contida e cheia de aspirais da garota.

Em tartarugas até lá embaixo, John Green nos surpreende de novo com sua criatividade para colocar assuntos que vivem na sombra sob uma perspectiva inteligente e humana.

Os personagens:

Aza Holmes: A protagonista da narrativa é um personagem muito delicado e sensível, que mostra ao leitor como funciona a cabeça de uma pessoa que sofre com TOC. Green consegue abrir esse caminho e fazer Aza funcionar com grande carisma. Eu me importei com o personagem do começo ao fim, queria protege-la e chorei durante sua crise mais forte. Aza é uma garota de 16 anos presa dentro de si mesma, e que acaba se afastando do mundo sem querer. É alguém ausente, mesmo que presente. Seu relacionamento com Davis é muito puro e bonito, eu torci pelo casal mesmo sabendo que não daria certo. Fiquei feliz com o final da história mesmo com um gostinho de quero mais. Aza liga todos os pontos da narrativa, sendo ela quem encontra as provas concretas sobre o desaparecimento do pai de Davis, e ainda resolve o caso, por causa de sua percepção aguçada no momento. Embora tenha seus momentos de euforia, Aza é um personagem triste, mas que traz ao leitor muitas reflexões sobre a falsa felicidade das pessoas, e sobre o vício mundial da necessidade de parecer feliz o tempo todo.

Daisy: Personagem secundária que dá apoio aos conflitos e arcos que abrem e fecham no livro. Melhor amiga de Aza e um comportamento um tanto complexo. Ao mesmo tempo que está sempre ao lado da protagonista, parece que só a mantem por perto para ter alguém que a ouça em silêncio. Mesmo sabendo do sofrimento de Aza, Daisy não se preocupa muito com o TOC, reclamando para internet inteira sobre como Aza é sempre uma nuvem negra no dia dela, através de suas fanfics sobre Star Wars. E é aqui, caro leitor desse post, que eu tenho que fazer uma parada. A resenhista que vós fala é uma fã extremamente ativa de Star Wars, Daisy perdeu todos os poucos pontos que tinha feito comigo depois de alguns comentários sobre a saga. Voltamos ao post. Sinceramente, parei o livro várias vezes e me perguntei, se ela odeia a Aza tanto assim, porque ainda “suporta” ela? Terminei o livro sem saber.

Davis: Esse é outro personagem secundário, que destrava conflitos sentimentais na protagonista. O garoto que foi criado a sombra da riqueza e importância do pai, é solitário e carente, transbordando sempre nas poesias que escreve e posta na Internet. Davis nunca teve muita atenção do pai, e agora que está inteiramente responsável pelo irmão mais novo, faz de tudo por uma companhia verdadeira. Aza parece ser a garota perfeita para ele, e ela também o sente, mas são os pensamentos intrusivos da protagonista que afastam-na desse relacionamento bonitinho. Amo o Davis com todo meu coração, ele é fofo demais e dá vontade de cuidar e encher de carinho porque ele merece.

O que eu menos gostei: 

Alguma dúvida? DAISY. Quer dizer, vamos com calma também, né. Sei que devem ter pessoas que vão ler o livro e vão gostar dela. Mas eu não gostei porque foi o que a caracterização dela me trouxe, uma enorme antipatia. Além disso, a história não desenvolve muito, chegando em alguns momentos a esquecer da investigação do desaparecimento do empresário, que fica bem ignorado diante dos conflitos internos e externos da protagonista. Nada mais, obrigada de nada.

O que eu mais gostei: 

Cantem comigo uhuh John Green voltou!!! Eu já li todos os livros dele, e amo a maneira como ele desenvolve sua linguagem dentro da narrativa, misturando elementos da cultura pop, com filosofia e muita jovialidade. Tartarugas até lá embaixo, na minha opinião, é o livro mais simples, porém mais complexo dele. Ao mesmo tempo que a história não é uma aventura intrincada como os outros livros, a narrativa de Aza nos prende pela vida incomum e tão ansiosa dela. É um mundo diferente e que nos mostra que nós somos o que pensamos.
Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo. A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido - quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro - enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Repleto de referências da vida do autor - entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância -, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e - por que não? - peculiares répteis neozelandeses.
John Green, chamado “o autor 3.0”, é um dos escritores mais queridos pelo público jovem adulto e pela crítica. Sua fama começou com o boca-a-boca nas mídias sociais e, para o lançamento da obra A Culpa é das Estrelas, o escritor anunciou o título do livro no Twitter para mais de 1,2 milhão de seguidores; uma hora depois, prometeu autografar todos os exemplares comprados na pré-venda. Green cumpriu a promessa e assinou cerca de 150 mil livros. O autor também leu um trecho da história antes de publicá-la no Vlogbrothers, seu canal do YouTube, um dos projetos de vídeo on-line mais populares do mundo. John Green tem apenas 35 anos e já possui diversos prêmios em sua carreira literária. Parte de seu sucesso é devido a sua forte presença na internet, desde 2007, quando o projeto Brotherhood 2.0 com o seu irmão, Hank, teve início. A ideia era restringir a comunicação entre eles a vídeos no YouTube, que também estariam disponíveis ao público. Nasceu, então, o movimento on-line Nerdfighteria: uma comunidade de jovens de opinião que se dedica a discutir os temas abordados nos vídeos dos irmãos Green, como o amor pelos livros, pelo aprendizado e o desejo de melhorar o mundo. Veja as frases mais famosas do autor John Green: "Quando as coisas quebram, não é a quebra real que as impede de voltar a ficar juntas novamente. É porque um pequeno pedaço se perde - as duas extremidades restantes não poderiam caber em conjunto, mesmo se quisessem. A forma inteira mudou." "Talvez haja alguma coisa que você tem medo de dizer, ou alguém que você tem medo de amar, ou algum lugar que você tem medo de ir. Vai doer. Vai doer porque é importante." "Só lembre-se de que, às vezes, o que você pensa de uma pessoa não é o que ela realmente é" "Você pode amar muito alguém, mas você nunca pode amar uma pessoa tanto quanto pode sentir falta dela" "A tristeza não nos muda, ela nos revela." "Não dá para escolher se você vai ou não vai se ferir neste mundo, meu velho, mas é possível escolher quem vai feri-lo. Eu aceito as minhas escolhas." "Esse é o problema da dor. Ela tem que ser sentida."

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12 comentários

  1. Eu sempre gostei muito dos livros do John Green, sempre achei a leitura de seus livros muito gostosinha e os personagens sempre são marcantes. Não conhecia essa obra, mas me interessei bastante depois da sua resenha.

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    1. Esse é o livro mais recente dele, lançado esse ano, um retorno depois de muito tempo sem lançar nada no campo litérario. É um típico livro do John Green, você gostou dos outros vai gosta desse também.

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  2. John Green SEMPRE arrasa. O homem que sabe fazer a gente ficar presa num livro. Não conheço esse livro em especial mas com certeza depois dessa reserva vou procurar para adquirir e ler. Beijão

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    1. Sempre arrasa mesmo, tem que ler, o livro não é tão divertido quanto os outros, mas ele usa a linguagem absurda que só ele tem em favor de um tema tão esquecido pela sociedade, vale muito a pena. Beijos.

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  3. Esse escritor eh John Green é maravilhoso. Ele sabe muito bem abordar determinados temas complicados em historias. Muitas pessoas não conhecem realmente o TOC e o John Green com certeza abordara esse tema muito bem nesse livro. Fiquei realmente curiosa para ler esse livro. Sucesso e abraços!

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    1. É isso mesmo, muitas pessoas não conhecem como o TOC é realmente perturbador, mas John Green trabalha com a doença de uma maneira que conscientiza sem exagerar. Vale a pena conferir. Beijos.

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  4. Acho a personalidade do John Green muito interessante. Li poucos livros dele, mas esse é um dos que mais me chamou atenção, acho que vou me identificar muito com a Aza, principalmente se tratando de ansiedade. Parece ser uma história que tem de tudo um pouco pra agradar vários leitores. Espero não me decepcionar.

    Beijos!

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    1. Não é um livro com muitos sentimentos ou apaixonante como A culpa é das estrelas, exatamente por causa das características da protagonista, que é tão ansiosa que mal consegue sair de dentro dos pensamentos dela. Mas é fascinante, mesmo assim. Beijos.

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  5. Muita gente tá falando bem desse livro, mas eu ainda fico com o pé atrás porque não gostei dos livros do John que li. Achei A Culpa é das Estrelas bem chatinho, e Cidades de Papel foi um saco pra mim haha. De toda forma, acho que darei uma chance, e provavelmente vou pagar a língua, pois eu gosto de livros com personagens que sofrem de transtornos :D
    Adorei a resenha e os pontos que você ressaltou <3

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    1. Então, embora esse seja um livro claramente do John Green, porque a linguagem dele é única para si, esse é o livro mais diferente dele, não tem absolutamente nada a ver com A culpa é das estrelas e passa bem longe de Cidades de papel, não se preocupe, dê uma chance e leia com calma para absorver bem a protagonista. Obrigada.

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  6. Eu não sou de ler livros e preciso começar a ler mais, eu já li a culpa é das estrelas eu gostei bastante mas não é um livro que eu idicaria.Tartarugas até lá em baixo parece legal, talvez eu leia ano que vem!

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    1. Então, a linguagem que o John usa é boa para quem quer começar a ler bastante, porque ao mesmo tempo que ele filosofa bastante é muito descontraído. Tartarugas até lá embaixo é um livro de poucas páginas e de poucos acontecimentos, e é uma ótima leitura para quem quer se acostumar com esse hábito. Espero de coração que você leia e goste.

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