| RESENHA | - O universo numa casca de noz - Stephen Hawking

by - 03 novembro

Skoob – Avaliação: 5/5
Com o surgimento da mecânica quântica e suas leis fundamentais incertas, Einstein expressou seu sentimento em uma singela frase: "Deus não joga dados". Com ela, percebemos como, para o cientista, não havia razão para o Universo ser composto de variáveis sem qualquer precisão. Anos após as grandiosas contribuições de Einstein à física, Stephen Hawking se mostra presente para discutir sobre os inúmeros tópicos ainda em aberto que a física quântica nos traz.

Partindo da mesma expressão citada ao início, o professor procura incessantemente a "teoria de tudo", a equação que será responsável por resumir todos os fenômenos do universo, deixando de termos uma quântica que apresenta suas leis tão vazias quanto o vácuo da galáxia.

No livro a ser tratado nesta resenha, "O universo numa casca de noz", Hawking traz, após 13 anos do sucesso "Uma breve história do tempo", outros de seus pensamentos registrados acerca do campo da física teórica. Usando-se de analogias, o cosmólogo tem pleno sucesso ao tentar por em palavras todo o seu vasto conhecimento. 

Sobre o livro e alguns dos assuntos abordados:

Do original "The universe in a nutshell", a obra foi publicada em 2001 - mas, no Brasil, apenas em 2009. Diferente de seu livro anterior, "O universo numa casca de noz" é inteiramente ilustrado, de modo que suas teorias sejam muito mais claras. Não obstante, Hawking utiliza-se de uma linguagem técnica que se mescla com a coloquial, o que, notoriamente, auxilia na compreensão dos estudos. (Sugestão: antes de ler os livros do Stephen, sugiro a leitura do livro "Alice no país do quantum", de Robert Gilmore.)

Tudo pode ter começado com o Big Bang, mas só uma série de estudos aprofundados foram capazes de nos trazer as certezas comprovadas por Stephen. Com a obra dividida em capítulos, o livro nos proporciona conhecimento sobre relatividade de Einstein e sua conciliação com a física quântica, além da possibilidade da viagem no tempo, dentre outras abordagens. Um dos assuntos mais interessantes, sem sombra de dúvida, é o "Paradoxo dos Gêmeos". Os cinéfilos e fãs de Christopher Nolan  já devem ter entrado em contato com a teoria, caso tenham assistido ao filme "Interestelar", obra cinematográfica que possui uma série de acontecimentos explicados no universo de Stephen.

Como proposto na teoria da relatividade, cada indivíduo tem o seu tempo. Por conta da velocidade da luz em que o indivíduo A viaja, quando voltar à Terra e encontrar o indivíduo B, aquele estará com a aparência de alguém mais novo. Isso se deve ao fato de que o tempo para o A passou relativamente mais devagar. Se o tempo passa na velocidade "tic,tac,tic,tac" para o B, para o A passará como"tic......tac.......tic.....tac"; ou seja, de maneira muito mais devagar.

(Para não estragar a magia do livro, apenas essa teoria será explicada aqui. Deve-se lembrar que a resenhista não é nenhuma cosmóloga ou astrofísica - por mais que desejasse. Trata-se apenas de uma amadora expondo seus conhecimentos superficiais.)

"Na Alemanha, os nazistas lançaram uma campanha contra a 'ciência judaica' e os diversos cientistas alemães que eram judeus; foi em parte por esse motivo que a Alemanha não conseguiu construir uma bomba atômica. Einstein e a relatividade foram os principais alvos dessa campanha. Quando lhe contaram sobre a publicação de um livro intitulado 100 autores contra Einstein, ele respondeu: 'Por que cem? Se eu estivesse errado, um só teria bastado.'" Mais do que físicos, Einstein e Stephen são homens de grandiosas almas incentivadoras. Não apenas como leitores, "O universo numa casca de noz" é uma obra que as pessoas deveriam adotar como aquilo que faz enxergar além dos horizontes mundanos. O mundo além do céu azul é mais belo - e desafiador - do que o imaginado.
Apesar de ter sido diagnosticado, aos 21 anos, com um doença degenerativa, Stephen não deixou que essa limitação fosse síntese de sua vida. Dentre seu vasto currículo, é notório seu cargo como ex-professor da Universidade de Cambridge, além de, na atualidade, ser diretor de pesquisa do Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica. Considerado um dos físicos mais importantes da história, Stephen é fundador do Centro de Cosmologia Teórica da Universidade em que leciona.

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